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quinta-feira, novembro 27, 2008
Sobre arcos e liras ( Dedicado a Octavio Paz)
Desviei os olhos do poético
Relanceei-os por um poema.
Que forma é essa que me puxa
E faz nascer um sentimento ímpar.
Parece um anjo bafejando sorte.
Quiçá trouxesse boa nova:
“Técnica e criação, utensílio e poema são realidades distintas.
A técnica é repetição que se aperfeiçoa ou se degrada: é herança e mudança – o fuzil substitui o arco.”
Não! O poeta não cria a partir do nada.
Sempre há e sempre haverá em que se apoiar:
Uma linguagem.
Sílvia Câmara
quinta-feira, maio 08, 2008
Chegança
segunda-feira, março 24, 2008
Sobre trilhas e bênçãos
Vale do Pati - Sílvia CâmaraEm tempo de páscoa
Sai decidida a andar muito.
E andei.
Nem sei direito
Acho que flutuei.
Cheguei tão alto que alcancei o céu
Ouvi Deus e o melhor:
Ele me ouviu.
Atravessei veredas, vales
Córregos, rios, cachoeiras.
Meu anjo bom mostrou-me flores,
Deu-me alma nova, lavadinha
Presenteou-me com beija-flores.
Descobri que páscoa significa passagem
De um tempo a outro
De um mundo a outro
De um modo de ver a outro.
Passeei
Emocionei-me.
Descendo aquele Beco
Quase me passarinhei.
E foi assim que, suavemente,
Naquela travessia,
Pascoei.
Sílvia Câmara
Sílvia Câmara
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A Memória e o poeta

Conheço uma zona
Pode ser uma zona morta da minha existência.
Talvez por isso leve a vida
Tentando estabelecer uma conexão com o tempo.
o tempo passado
o tempo futuro.
Busco a memória. Ou o martírio.
Mereceria eu ascender?
Será de fato que preciso morrer
Para encontrar o início e fazer a ligação dos elos?
Resgato minha essência perdida?
Conquisto a salvação?
Ou desço à danação?
Um anjo vem e diz:
O poeta sabe!
Continuo a viagem.
Carrego na mochila a minha ignorância.
Sílvia Câmara
Carrego na mochila a minha ignorância.
Sílvia Câmara
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