
quinta-feira, maio 08, 2008
Chegança

E eis que então pousei na lua.
numa lua-meia
calçando meias,
Meias de pluma,
para não machucá-la.
Fechei minhas asas:
Recostei-me.
No dragão ou em São Jorge?
Sei apenas que adormeci
Pois no sonho vi meu anjo.
Percebi que
Havia chegado em casa.
Sílvia Câmara
Trapiches Nº 1 está no ar!
Está no Ar!
O n° 1 da TRAPICHES, a revista eletrônica sobre arte e cultura do nosso Projeto Macabéa, está no ar! Agora vocês podem navegar à vontade pelas 22 matérias, divididas pelas seções: Grãos, A Granel, Boneca de Pano, Olho Mágico, Secos e Molhados, Presentes Finos e Perfumaria. Há de tudo um muito: entrevistas, crônicas, contos, poemas, críticas, vídeos, etc. Além de 7 seções, temos o Extrapiches, que traz o nosso Cais (Capitania Geral de Blogs), sempre com uma seleção de 10 blogs indicados pela Revista.
Aproveite e inscreva-se no 1° Concurso Literário da Revista Trapiches e mostre seu talento.Enfim... É muita coisa!Acessem aqui: http://www.trapiches.com.br/, e boa leitura! (Namastê)
segunda-feira, março 24, 2008
Sobre trilhas e bênçãos
Vale do Pati - Sílvia CâmaraEm tempo de páscoa
Sai decidida a andar muito.
E andei.
Nem sei direito
Acho que flutuei.
Cheguei tão alto que alcancei o céu
Ouvi Deus e o melhor:
Ele me ouviu.
Atravessei veredas, vales
Córregos, rios, cachoeiras.
Meu anjo bom mostrou-me flores,
Deu-me alma nova, lavadinha
Presenteou-me com beija-flores.
Descobri que páscoa significa passagem
De um tempo a outro
De um mundo a outro
De um modo de ver a outro.
Passeei
Emocionei-me.
Descendo aquele Beco
Quase me passarinhei.
E foi assim que, suavemente,
Naquela travessia,
Pascoei.
Sílvia Câmara
Sílvia Câmara
domingo, março 09, 2008
Sobre como obedecer a uma ordem

Achei um ninho
cheio de sílabas.
Mas elas dormiam implumes
tão silenciosas como pedras
em seu pétreo sono.
Pensei acordá-las
Suspirei.
Apareceram três sílabas: SI - LÊN-CIO
Tentei desistir
Vieram outras três: CO - VAR - DE
Agora não posso mais recuar
Elas dançam e
Sob o meu olhar atônito
Aparece : ES - CRE - VE!
Sílvia Câmara
cheio de sílabas.
Mas elas dormiam implumes
tão silenciosas como pedras
em seu pétreo sono.
Pensei acordá-las
Suspirei.
Apareceram três sílabas: SI - LÊN-CIO
Tentei desistir
Vieram outras três: CO - VAR - DE
Agora não posso mais recuar
Elas dançam e
Sob o meu olhar atônito
Aparece : ES - CRE - VE!
Sílvia Câmara
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A Memória e o poeta

Conheço uma zona
Pode ser uma zona morta da minha existência.
Talvez por isso leve a vida
Tentando estabelecer uma conexão com o tempo.
o tempo passado
o tempo futuro.
Busco a memória. Ou o martírio.
Mereceria eu ascender?
Será de fato que preciso morrer
Para encontrar o início e fazer a ligação dos elos?
Resgato minha essência perdida?
Conquisto a salvação?
Ou desço à danação?
Um anjo vem e diz:
O poeta sabe!
Continuo a viagem.
Carrego na mochila a minha ignorância.
Sílvia Câmara
Carrego na mochila a minha ignorância.
Sílvia Câmara
sábado, janeiro 12, 2008
Como um poema neo-barroco

Enquanto a vida acontece,
A casa suspende-se como um poema barroco
Os animais pensam e eu fico só.
Escrevo coisas em desconexo
Apenas para não ficar imóvel.
Não tenho reserva de palavras.
Não há uma fábrica no meu bolso,
Como havia em Neruda.
As abelhas passaram à minha volta
E eu não as pude caçar.
Volaram las palabras.
Ao menos deixaram seu néctar
E aquela cor de pólen impregnou meu pensamento.
Hoje quero vestir amarelo.
Sílvia Câmara
A casa suspende-se como um poema barroco
Os animais pensam e eu fico só.
Escrevo coisas em desconexo
Apenas para não ficar imóvel.
Não tenho reserva de palavras.
Não há uma fábrica no meu bolso,
Como havia em Neruda.
As abelhas passaram à minha volta
E eu não as pude caçar.
Volaram las palabras.
Ao menos deixaram seu néctar
E aquela cor de pólen impregnou meu pensamento.
Hoje quero vestir amarelo.
Sílvia Câmara
sábado, janeiro 05, 2008
Depois de ler Envoi de Mário Faustino
Habitación del escritor- Luiz RejanoVai, escrito meu
Tentar dizer a quem te leia
Dessa dor que lateja,
Corrosiva como a vida que perdura.
Conta de toda a alegria
Do canto que entoamos:
Ardente ritual
De inocentes gestos
E do que restou dessa folia.
Conta-lhes do efêmero,
Daquela cor esquecida
Que sobrou na lajota.
Naquela, onde o azul desbotou.
Vai, escrito meu
Não posso te seguir.
Não sou rei, nem declarei guerra.
Quedo-me aqui e te escrevo.
Silvia Câmara
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