sábado, outubro 20, 2007

Fragmentos 1

pear in beetroot sauce

Não me dou conta de que tenho que urdir palavras para redimir o pensamento.
Escrever tornou-se um confessionário: porto de esperança e salvação.
Acasos não existem. Há o querer.
Tão rubro como uma beterraba.
O bom senso diz que beterraba não é uma palavra poética.
Mas é a cor que escolhi para dar conta do querer.
Às vezes ela desbota.
Sílvia Câmara

5 comentários:

MARIAESCREVINHADORA disse...

Sou fã da beterraba, Silvinha.
Acho-a muito sensual devido a um filme antigo, onde a mucama servia uma sopa vermelha como sangue, de beterraba, numa belíssima sopeira toda trabalhada. Se bem me lembro,o filme intitulava-se St. Louis (original) e estrelado por Judy Garland (O mágico de Oz).
Nunca esqueci da sopa...
Adorei os seus fragmentos.
Beijo,

Conceição

Maria Muadié disse...

Nas suas linhas beterraba é rubra, com gosto de terra, às vezes desbota, mas é querer....

Gerlane disse...

Ah! Sílvia! O que importa mesmo é a expressão dos sentimentos! O resto são detalhes!
E essa sua expressão ficou lindamente poética!

Beijos,

Gerlane

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Excelente poema poetisa!!!
Quem disse que a beterraba nao e' poetica? Tudo e' POESIA... e a beterraba e' vermelha, grito de vida que nos corre na alma da veias...
Bjs
Namibiano

Ramon de Alencar disse...

...
-Oras, por que beterraba não seria uma palavra poética? :)

Gostei do poema. Palavras simples e profundas...