quinta-feira, dezembro 04, 2008

Semeadura

foto: Silvia Câmara


Cultivei poemas
como quem cochila em ombro de mãe.
Suavemente.

Cultivei poemas
Como quem acorda com passarinhos.
Alegremente.

Cultivei poemas
Com a ânsia de um afogado.
Sofregamente.

Cultivei poemas
Com o desvario de um suicida.
Exaustamente.

Havia uma horta em meu coração.

Silvia Câmara

5 comentários:

Pavitra disse...


e eu vou colher todos os seus poemas, posso? :)

muito lindo!

Casulo Temporário disse...

Lindo, Sílvia!
beijo,
Ana.

Janaina Amado disse...

Muito bonito o poema, Silvia. Só me incomoda o "exaustamente", não sei por quê (espero que não se aborreça com meus palpites; sou palpiteira demais, conforme aviso no meu perfil; pessoalmente, sinto falta de um pouco de crítica,de uma leitura mais atenta, dos meus textos no blog; mas se não gostar de palpites, diga, que eu venho aqui só ler seus poemas, quietinha, viu?
PS - Viu o link no blog?

Sílvia Câmara disse...

Pode palpitar à vontade, Janaina.
O bacana do texto é poder dar margem a mil e uma possibilidades de interpretação.
O incômodo é sempre bom. Sinal de que "mexe" em algum ponto.
Agora, com relação ao "exaustamente" , às vezes penso que o suicida é aquele que se encontra absolutamente exausto daquela vida. E parte em busca de outra... ou não (como diria Caetano).
bjo grande

Maria Muadiê disse...

Lindo, Silvinha, vc cada dia escreve mais bonito.
Beijo