domingo, agosto 19, 2007

Compartimentos



Depois de nascida aquela que veio por vir
Desaguou correnteza abaixo.
Como qualquer um faria se transido estivesse,
De forças e aflição.
E mesmo assim vem vindo.
De onde não se sabe tinha ido.
Re-volta.
Só por pura inquietação esse retorno.
Se fosse boa vontade,
nem tinha medo de virem buscar
Tudo o que estava escondido.
As coisas todas enterradas
Os medos todos debaixo do tapete.
Uma vida inteira guardada numa gaveta.
Gaveta da memória.
Para que trocar esse móvel de lugar?
Deixa o marrom virar bege
E o bege desbotar quieto, sonolento.
Bem da cor da lembrança.

Sílvia Câmara

5 comentários:

Maria Muadié disse...

que bonito, Silvia.

Verônica Aroucha disse...

Deixar os papéis quietos, amarelados. não abrir mais e mais vezes, para preservar o cheiro.
Adorei amiga; belos Compartimentos.
Verônica

Clóvis Campêlo disse...

Sílvia, quando visito o teu blog só me lembro daquele refrão: "tudo está no seu lugar, Graças a Deus, graças a Deus". Você peca pelo excessivo bom-gosto e requinte. E nem me ligo às palavras. Verdadeiramente, ordem e progresso.

Sílvia Câmara disse...

Ah! Meu Deus, Clóvis, obrigada: Ordem e Progresso.
É muito bom saber que vocês estão gostando do Blog. Dá-me fôlego novo para continuar postando.
É como aspirar uma brisa leve,perfumada e sair flutuando na garupa do vento, distribuindo versos aqui e ali.
Um abraço grande, desde a Bahia, Queridos PI.

Tânia França disse...

Sílvia, Clóvis disse tudo! Graças a Deus, graças a Deus!